Como a Teologia do Corpo se encaixa na Tradição da Igreja?

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Por Colin Donovan

Um autêntico desenvolvimento da teologia é uma das características da fé católica. Tendo como ponto de partida a revelação divina (Escritura e Tradição), e sob a orientação do magistério, encontram-se novos insights acerca do significado e das implicações da fé.

A Teologia é a “fé em busca de entendimento” (Santo Anselmo), por isso, apesar da fé ser imutável, o entendimento que a Igreja tem sobre ela se aprofunda.

À primeira vista, a Teologia do Corpo parece ser algo completamente novo. Em vez de estudar a natureza objetiva das coisas, como os filósofos católicos têm feito tradicionalmente, ela reflete sobre a experiência humana, a fim de descobrir os elementos essenciais da experiência como eles aparecem na consciência da pessoa humana.

Uma vez que se trata de “experiência” humana, e não da natureza humana, os críticos da Teologia do Corpo muitas vezes a vêem como um método puramente subjetivo, incapaz de produzir resultados universalmente válidos.

Como se vê, o filósofo Karol Wojtyla (mais tarde Papa João Paulo II) concorda com algumas dessas críticas. Estudando o uso do “método fenomenológico” no começo dos anos 50, o então padre Wojtyla imediatamente viu a sua utilidade como um meio de compreensão (insight) da apreciação do valor moral por parte da pessoa humana e sobre a formação da consciência. Isso, na verdade, já havia sido demonstrado nos anos 20 pelo grande filósofo alemão Dietrich von Hildebrand e por sua colega no estudo do método, Santa Edith Stein.

Decidindo ele mesmo adotá-lo, o futuro Papa reconhecia que, a fim de ser útil, os resultados do método tinham de ser julgados por uma filosofia e teologia objetivas, tais como a de São Tomás de Aquino. Caso contrário, havia o perigo da própria experiência se tornar o referencial último, e de o usuário cair no subjetivismo ou no emocionalismo.

Foi esse estudo inicial do valor do método, assim como o seu reconhecimento de suas deficiências, que levaram o Papa a desenvolver uma abordagem freqüentemente chamada de “personalismo tomista”.

Para o Papa João Paulo II, o estudo da experiência da pessoa do mundo é extremamente importante para a formação moral e espiritual, mas só é teológica e pastoralmente válido quando compreendida dentro âmbito da teologia católica e da filosofia objetiva.

Fora deste âmbito, o mesmo método não é confiável. De fato, os resultados muitas vezes falhos de tais métodos em círculos seculares, onde a filosofia, as ciências humanas e a cultura são guiadas pela experiência subjetiva, tem demonstrado amplamente que isso é verdade.

O uso deste método por parte do Papa, portanto, acrescenta uma visão complementar – e não contraditória – à síntese tomista da teologia e da filosofia. Para a objetividade da revelação e da filosofia objetiva, o Santo Padre acrescentou uma terceira dimensão: a compreensão de como a pessoa humana percebe o mundo.

Nas últimas décadas, o seu valor pastoral, quando usado da forma cautelosa proposta pelo Papa, já foi amplamente demonstrado. No entanto, como George Weigel, o biógrafo do Papa afirmou, vai demorar séculos para a Igreja compreender plenamente a nova luz que o ensino e o método do Papa lançaram sobre verdades imutáveis​​.

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Colin Donovan é vice-presidente de teologia na EWTN. Ele obteve a sua licenciatura na Pontifícia Angelicum, escrevendo sobre o desenvolvimento da teologia da auto-doação no matrimônio, do Papa João Paulo II.

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Traduzido de: http://www.ncregister.com/daily-news/how-does-theology-of-the-body-fit-into-church-tradition/

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